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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Idas e vindas...

Oi!
Eu só passei pra postar esse texto curtinho que achei guardado no meio dos meus rascunhos...



Tudo começou há dezesseis anos.
Estávamos dançando.
A melodia suave que o som emitia era reconfortante, assim como estar em seus braços.
Claro que eu não sabia se os meus sentimentos eram recíprocos, mas gostava de imaginar.
Eu era jovem, tinha apenas quatorze anos.
Ele era alguns meses mais velho.
E tão jovens não imaginávamos o que viria.
Os anos passavam lentamente, e com eles a nossa amizade.
De amigos, passamos a ser melhores amigos.
Íamos ao cinema, ao teatro.
Passávamos horas a fio conversando. Até o dia em que nos sentimos verdadeiramente seguros.
Não tive medo e dividi meus segredos com ele. E ele fez o mesmo.
Ajudávamos-nos a estudar.
Eu gostava da companhia dele e pelo visto ele também gostava da minha.
Saíamos juntos apenas para ter um ao outro. Andávamos por horas pelo centro da cidade sem cessar, mudos.
Nos meus fones uma música fofa e tranquila. Que hoje significa muito.
Eu imagino que nos dele tocava alguma música eletrônica, da qual ele não deve se lembrar o nome.
Um fato interessante a nosso respeito. Nunca dizíamos adeus.
Era como se nossas conversas nunca tivessem ponto final. Apenas reticências...
Sabíamos que não haveria fim. Pelo menos sonhávamos.
E então chegou.
O ultimo dia de aula.
Terceiro ano.
Eu queria cursar psicologia.
Ele, medicina.
Caminhos diferentes.
O pesadelo que me assombrou todo o ano.
Ele queria viajar, explorar o mundo, conhecer novas pessoas e lugares diferentes.
Eu gostava do conforto da minha vidinha ao lado dos meus pais.
Abraçamos-nos forte, com lágrimas nos olhos. Nunca esqueceria essa cena.
Prometemos-nos não perder contato.
Jovens tolos.
Meu primeiro dia na faculdade e já não nos falávamos.
Sentia falta disso.
Sentia falta das reticencias constantes.
Sentia falta dos passeios mudos.
Sentia falta dele.
E orava para que ele sentisse a minha.
Depois de quase dez anos recebi a notícia.
Ele havia voltado à cidade.
Um médico renomado.
Importante.
Senti-me feliz.
Permiti-me sorrir quando soube da notícia.
Com esse tempo que se passou, me tornei psicologa, comecei a entender a mim mesma.
Um ano depois e não havia o procurado.
Ele também não veio a minha procura.
E então aconteceu de novo.
Mas dessa vez o choque era apenas meu.
Minha mãe estava doente.
Meu pai marcou o médico, mas não poderia a acompanhar. Eu, filha única, fiquei com a tarefa.
Quando peguei o cartão e li o nome dele fiquei confusa.
Parte de mim feliz por ter que vê-lo novamente, a outra parte estava triste por ser de uma forma lamentável.
Por que não nos esbarramos em um café?
Ah sim. Ele odeia café.
Fomos até o consultório.
Estava um clima estranho.
Era como se não nos reconhecêssemos mais. O que pode não ser mentira. Seus traços são inconfundíveis, mas sua personalidade não parecia a mesma. Ele estava mais sério.
Minha mãe? Não tinha nada mais que uma gripe forte.
Foi aí que voltamos a ter contato.
Tudo foi voltando aos poucos.
Como em uma fita cassete.
Primeiro as reticências constantes.
Depois os passeios mudos pela cidade.
E então a troca de conhecimento.
E os segredos divididos.
Agora já não ia ao cinema ou ao teatro sozinha.
Voltamos a ter um ao outro.
E assim termina nossa jornada.
Dançando.
Como da primeira vez.
A mesma música de melodia suave.
Ainda era reconfortante estar em seus braços. E eu ainda tinha a duvida se meus sentimentos um dia foram recíprocos.
Mas nada daquilo importava no momento.
Eu só queria estar aqui.
Com ele.
Para sempre.
Não posso deixar essa música terminar.

Eu sei como o destino pode ser cruel.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

"Você é muito você"

Oi!

Eu estava querendo muito atualizar o blog, mesmo com uma semana cheia de provas e compromissos, mas acontece né. Só que eu não fazia ideia do que postar... A inspiração para escrever qualquer coisa foi completamente embora, e parece que propositalmente levou tudo.

Então decidi entrar no Chiclete Violeta, um blog que me deu o impulso final para começar e vi que tinha um post com um texto do Depois dos Quinze, o blog que me fez querer começar... Sabe quando você não para de pensar em uma coisa por causa de outra? Então...

Ai eu fui até o Depois dos Quinze e assim que entrei dei de cara com o título: "Você nunca deve se desculpar por ser quem é", e antes de ler o post decidi tentar tirar minha próprias conclusões igual o que eu descrevi no ultimo post [ ;) ].

E só então eu parei pra pensar o quento eu faço isso... Eu brigo com alguém, por sermos diferentes e depois me desculpo por ser do jeito que eu sou... Infelizmente. E como se eu não contentasse em me desapontar ainda percebo que várias vezes tentei mudar quem eu sou por isso...

Tudo bem a ideia era deixar o texto aqui, não ficar reclamando o tempo todo...

"Você está numa roda de pessoas e todos estão agindo da mesma forma. Parecem robôs: ninguém aparenta estar aproveitando o momento. Rostos frios, rígidos, todos fechados em seus mundinhos como se estivessem reunidos por uma simples e mera obrigação.
Se for parar para notar bem, parece que um copia o comportamento do outro. Nada sai daquele “comum” encontrado ali: se combinassem um traje, estariam todos da mesma cor. Ali, a diferença é vista como algo ruim – o bom mesmo é continuar seguindo os padrões que foram impostos sei lá por quem.
Mas acontece que você é incapaz de deixar de notar isso e, quanto mais o tempo passa, mais a situação te incomoda. Mesmo que eles falem, parece que, na verdade, estão todos dormindo: num estado extremamente constante, tal como o da respiração durante o sono.
E assim, quase que involuntariamente, você acaba indo na contramão daquilo tudo e faz alguma coisa genuína: dá uma risada, puxa um assunto e trata o momento com mais leveza, enquanto todos continuam firmes. Isso acaba mostrando aquele pedaço lindo da sua personalidade, que estava guardado até então.
Afinal, não estamos falando de outra pessoa. Você é muito você.
Só que, ali, ninguém enxergaria a beleza que há no plural. Neste local, eles jamais vão apreciar o que vem de dentro, em sua forma mais variada.
Muito pelo contrário… Depois disso, parece que todos te olham com aquele velho olhar de censura.
Como se você tivesse simplesmente que segui-los e se calar, sem ser a pessoa que é e sempre foi. Como se deixar escapar algo inerente ao seu jeito de ser fosse um crime da pior espécie: no meio dos pontinhos riscados religiosamente no papel, você foi a mão que parou para ligá-los e formar uma estrela. E ainda sorriu!
Isso incomodou. 
Mas você não fez nada inconveniente: não esbarrou, prejudicou e tampouco atrapalhou ninguém ali. Só que isso tudo te faz ficar sem jeito, e aí voltam as dúvidas – elas nem deveriam existir, mas surgem na sua mente assim que seu olhar encara o primeiro rosto aborrecido. Aparece também a timidez e o “acho que não devia”. 
Seu primeiro reflexo é pensar em pedir desculpas.
Assim como se tivesse tropeçado e deixado algo cair sem querer: foi passageiro, pessoal, vamos desviar o olhar e voltar ao que estávamos fazendo antes!
Só que o antes não fazia sentido algum pra você, com certeza. Voltar àquele estado de normalidade constante e incrivelmente entediante e procurar uma forma de colocar em sua cabeça que o melhor seria se adaptar não é mais uma opção viável.
Fazer isso seria fechar todas as janelas e não voltar a ver luz. Se aconchegar num sofá confortável, mas continuar por ali durante uma vida inteira. Colocar novamente um passarinho liberto dentro da gaiola e pedir para ele assoviar a canção que todo mundo assovia também.
Por que a gente considera normal pedir desculpas quando estamos sendo exatamente quem somos?
Não. Desta vez, você decide não se desculpar. Aquilo não foi um erro, de maneira alguma.
O grande engano é justamente se cercar de quem não entente algo importante: quem acerta é quem se compromete com suas próprias vontades. Você deve apenas seguir seus instintos e respeitar aquilo tudo que você é e sempre será, não importa como for. "
 Bom eu não estava tão errada assim, mas ler esse texto me fez pensar em outra coisa...
Espero que isso seja minha inspiração voltando...

sábado, 24 de setembro de 2016

Será que somos mesmo tão diferentes?

Oi!

Hoje eu participei de um "reunião" com a Academia de Letras Juvenil aqui da cidade e no meio do nosso debate eu tive a ideia de compartilhar algumas idéias aqui...

Hoje eu vim para incomodar!

As pessoas gostam de dizer que somos diferentes. Mas nós realmente somos tão diferentes assim? Eu acho que não. Tudo bem! Eu acreditava e tinha certeza que sim. Até hoje.

Se eu te dissesse que você iria assistir um curta sobre um personagem negro, portador de HIV, surdo e que mora em uma favela do Rio o que você imaginaria? Bom, eu me considero uma pessoa sem preconceitos. Pelo menos quando eu estou pensando conscientemente...

A resposta geral foi que iria se tratar de um preconceito, da representação das minorias e suas dificuldades, ou de uma história de superação... Estávamos errados. Representou nada mais que uma vida totalmente comum... Assim como a minha, provavelmente a sua e de várias outras pessoas.

Claro que foi um choque. Recebemos várias informações que basicamente não influenciaram em nada...

Mas, com certeza, o choque foi maior quando percebemos o que havíamos pensado...

Por mais que não deixássemos as características influenciarem de forma negativa, de certa forma havia um preconceito ali, bem escondido porque nós supomos que ele sofria preconceito...

E é tão fácil falar que o outro é preconceituoso, e nós temos a mente abeta, mas quando questionados sobre isso agimos de uma maneira controvérsia.

A conclusão que chegamos é que é praticamente impossível não pensarmos dessa forma já que a mídia, de todos os tipos, nos influencia o tempo todo, principalmente quando queremos não pensar muito. Ah! Essa hora em que não pensamos é a mais perigosa... Mas fomos criados com essa cultura e é exatamente a forma que a maioria pensa por preguiça de pensar... Estranho não? Eu me surpreendi e tive que aprender a conviver com esses pensamentos não só de outras pessoas, mas o meu
também... Na minha opinião (eu sei que não é tão eficaz usar essa expressão antes de um argumento, dica pro ENEM, mas eu quero deixar minha opinião e não persuadir as pessoas) temos que aprender a conviver com isso sem mudar nossa personalidade...

Só gostaria que as pessoas fossem mais compreensivas, mas nem sempre fazemos apenas o que gostamos (obrigada mãe por me ensinar isso)

domingo, 14 de agosto de 2016

Apenas mais uma carta...

“Querida Lia,
Gosto de ficar te observando dormir.
Você parece calma, mas por incrível que pareça eu gosto mais de você quando tem suas pequenas crises.
Por mais que você já tenha arruinado alguns jantares de negócios que nós estávamos, algumas festas de família, eu ainda te amo.
Lembra-se quando nos conhecemos?
Eu estava na casa de um amigo que por coincidência era marido de uma amiga sua.
Por que eu estou escrevendo isso? É claro que você se lembra.
Fui eu quem correu atras de você quando você fugia das “pessoas” que te perseguiam, fui eu quem teve coragem de subir até o segundo andar e tentar conversar com você quando se trancou no quarto escuro achando que estavam tentando te matar.
E daquele jantar quando minutos antes de entrarmos eu, por impulso, tentei limpar um pouco de batom borrado, que mal se percebia, no canto da sua boca e você passou batom em parte do seu rosto.
Confesso que meu chefe ficou muito assustado.
No seu próprio aniversário, acabaram falando muito alto e você quebrou seu vaso favorito, o jogando na parece, enquanto ria loucamente.
As vezes simplesmente chegava e desligava a televisão no meio do jogo que eu estava assistindo alegando que eram espiões.
Isso nunca foi motivo para ficar bravo com você.
Conhecia, e ainda conheço, sua fragilidade. E tenho que admitir que sou apaixonado por ela.
Talvez o louco seja eu.
Você se encolhia no canto do nosso quarto no meio da noite dizendo que viriam nos matar, se recusando a voltar para cama, então eu pegava nosso cobertor e você fazia meu peito de travesseiro.
E era nesse momento que eu me sentia o homem mais feliz do mundo. A probabilidade de você queimar essa carta antes mesmo de ler é grande. Não sei o que virá dessa vez.
Tive que começar a pagar todas as contas pela internet pois você queimava os boletos e qualquer papel que passasse por debaixo da porta do nosso apartamento.
Tique que colocar grades nas janelas, como se fazem com crianças, logo após de te encontrar sentada na beirada de uma das janelas, em tempo de cair, falando com “anjos”.
Você os veria se caísse do décimo andar. Onde eu estava com a cabeça de escolher um apartamento tão alto?
Seus pais, e os meus também, queriam me internar, me chamavam de louco por querer ficar com você, Lia, eles não aceitavam.
Como se você não pudesse ter uma vida normal.
Lembra-se de quando conversamos sobre filhos? Sempre gostei de crianças. Nunca nos achei aptos a cuidar de uma.
Foi nesse dia que a magoei.
Me arrependo tanto desse dia.
Não tem uma noite que não penso naquela nossa discussão.
Eu gritei com você, e você gritava comigo. Cheguei até mesmo a te chamar de doente e você ficou me estapeando e gritando comigo enquanto chorava muito.
De repente você parou. Correu para o quarto e quando estava mais calmo e fui até lá vi que você estava fazendo uma mala e queimando nossas fotos.
Nunca agradeci tanto por ter uma cópia de cada.
Mais tarde os vizinhos foram nos perguntar que gritaria era aquela e se não tivéssemos parado, chamariam a polícia.
Me desculpe pelo papel molhado. Sempre choro quando me lembro desse cena deplorável.
Não quis me separar de você nem quando eu acordei com você em cima de mim e se não fosse o travesseiro e meu reflexo eu teria morrido com uma facada letal no peito.
É, a cada parágrafo tenho mais certeza que o louco que deveria tomar todos aqueles remédios sou eu.
Você está prestes a acordar e estou um pouco ansioso. Nunca sei quem minha mulher vai ser.
Recorda-se disso? Cada dia uma personagem diferente.
O melhor dia foi quando você decidiu ser apenas você.
Espero todos os dias que isso se repita, mas todos os dias fico levemente frustrado.
Espero que você tenha entendido o que quis dizer.
Você sempre soube que eu amo escrever, apesar de não fazer isso muito bem. Você, no entanto, é uma grande escritora que se recusa a ser manipulada pelo mundo e estragar algo que ama fazer.
Com amor.
Do seu Felipe.”
Dobrei a carta toda borrada pelas minhas lágrimas e a guardei de volta no envelope. Procurei a chave de uma gaveta que sempre ficava trancada e guardei lá a carta. Não queria a perder.
A gaveta estava abarrotada de outras cartas que ele havia me escrito com o tempo.
Felipe estava na sala assistindo televisão.
Resolvi não ir lá. Não queria ter mais alguma crise estúpida por conta do aparelho eletrônico.
Abri meu armário e vi diversas roupas, não queria vestir nada daquilo. Já fui tantos personagens tantas vezes.
Resolvi atender ao pedido de Felipe e peguei uma muda de roupa que estava perdida no fundo do armário. Hoje eu seria eu mesma.
Simplesmente Lia. Não tão simples assim.
Tomei todos os meus remédios que ele já havia deixado em cima do criado mudo ao meu lado da cama.
Não me sentia mal em ser quem eu sou, ser do jeito que sou.
Me sentia mal por todas as pessoas normais que viviam fora do nosso aconchegante apartamento.
Decidi atender a outro desejo de Felipe e pego um papel e uma caneta e começo a escrever.

“Querido Felipe...

Oi! Quanto tempo! Está um pouco difícil de postar mas eu vou tentar aparecer com mais frequência... Sentia que devia essa explicação. Eu gosto muito desse texto, não sei, não tem nada de muito metafórico ou alguma mensagem muito importante, é algo simples que eu gosto.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Angústia...

Não bastava ter ido dormir tarde, minha irmã mais velha me acorda cedo só por sacanagem.

- Anda Tati, sua dorminhoca. - minha irmã disse e pegou meus cobertores e saiu.

Levantei apressada achando que estava atrasada para minha reunião do trabalho. Eu tenho 16 anos, mas trabalhava meio período em uma empresa.

Minha irmã estava deitada no sofá com os meus cobertores e rindo de mim. Fui até a cozinha olhar quão atrasada eu estava e ainda faltava duas horas até o meu despertador tocar. Não ia conseguir dormir novamente e estava muito frio para tomar banho tão cedo então molhei meu cabelo para pentear e ao passar o pente sentia as mechas saindo...

Nos últimos meses andei perdendo parte do cabelo e acabei engordando os cinco quilos que havia perdido.

Respirei fundo e terminei de me arrumar.

Ao sair de casa coloquei meus fones de ouvido e People Help The People começou a tocar. No meio do caminho havia um café e como estava um pouco aérea não tomei café da manhã. Entrei no café e pedi um descafeinado, sentei-me em uma mesa e fiquei esperando meu pedido.

Em cinco minutos Marcos entrou no café, ele era meu amigo... Era até começar a namorar. Não desgrudava dela nem um segundo, mas dessa vez ele estava sozinho. Estranhei.

- Oi Tati! Você ainda vem aqui todos os dias? - ele começou como se nada tivesse acontecido.

- Venho... - disse um pouco distante. Até parece que ele não me encontra todos os dias aqui, só que sempre está ocupado demais com sua namorada.

- Eu queria conversar com você. Você se distanciou de mim. Não sei o que está acontecendo.

- Eu sei o que está acontecendo, não queria te falar dessa forma mas já que você me procurou... o problema é a sua namorada, você se afastou muito de mim depois que começou a namorar... - tentei dizer sem chorar.

- Não me afastei não e olha ela não te deu motivo algum pra não gostar dela. - ele disse alterando a voz.

- Tudo bem, a namorada é sua mesmo. - disse demonstrando indiferença e quando meu café chegou o ignorei. Eu sei que é uma atitude infantil, mas eu não ia forçar com ele.

Ele saiu bravo e eu continuei tomando meu café. Lembrei de como eramos próximos e como sempre íamos ao café já que não gostávamos do que era servido na empresa. Segurei as lágrimas e respirei fundo.

Cheguei na empresa na hora certinha e me direcionei para a sala de reunião.

- Tatiana. - senti alguém me sacudir. - É assim que mostra seu desempenho? dormindo nas reuniões? - era meu chefe me repreendendo.

- Desculpa. Não vai acontecer de novo. - disse com a cabeça baixa.

-Não vai mesmo. Você fique sobre aviso, mais alguma coisa errada e está fora.

Apenas assenti.

Ao chegar em casa fui para meu quarto trocar de roupa e pude ouvir meus pais dizendo que eu era imprestável e se perguntando onde tinham errado comigo... e que Gabriela (minha irmã) era o exemplo da família...

Fui correndo para o banheiro liguei o chuveiro e chorei por alguns minutos... Nada podia dar mais errado. Meus pais me tratando como um nada, meu amigo está bravo comigo, pisei na bola com meu chefe, eu engordei tudo novamente e meus cabelos estão caindo... É antes eu reclamava das coisas, mas não tinha muita noção.

Desliguei o chuveiro para que meu pai não tivesse mais um motivo para ficar estressado e fui para meu quarto tentar me distrair um pouco...

Logo depois acho que caí no sono durante Let it Go...

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Dia do amigo

O que é ser amigo?

De acordo com o dicionário amigo é o nome que se dá a um indivíduo que mantém um relacionamento de afeto, consideração e e respeito por outra pessoa.

Mas para mim ser amigo é bem mais que isso, já que devemos tratar todas as pessoas com respeito, e podemos considerar alguém sem sermos de fato amigos.

Amigo é aquela pessoa que está sempre do seu lado, você sabe que pode confiar e que mesmo com as mancadas te entende, ou supera todo o orgulho para pedir desculpas.

Amigo é procurar entender o outro mesmo com pensamentos diferentes, já que ninguém é igual.

Você sabe que tem amigo quando fica horas reclamando da vida (mesmo que não tenha nada para reclamar) e a outra pessoa faz de tudo pra te fazer feliz.

É comum as crianças falarem que tem muitos amigos e tem mesmo, a maioria das crianças não agem com maldade e estão sempre se ajudando, por isso eu acredito que nesse ponto devemos nos inspirar nas crianças e procurar uma amizade mais livre, pura e transparente. Quanto mais louco melhor.

Eu tenho uma amiga que geralmente quando estamos juntas começamos a agir como crianças e sem vergonha de ser feliz fazemos aquilo que queremos. (Oi meninas hoje eu vou ensinar vocês como pagar mico).

Nada melhor que desenhos para nos mostrar vários tipos de amigos...


Ninguém melhor que Bob Esponja e Patrick para exemplificar a parte de agir como crianças e se divertirem ao máximo.


Bart e Milhouse são amigos e mesmo quando Bart apronta com Milhouse ele o perdoa. Tudo bem que nem sempre é algo legal, mas amigo é pra isso.


Eles são o tipo clássico de amigos que sempre estão juntos para tudo, incluindo viagens, confusões e momentos divertidos. É aquela frase: amigo pra toda hora.


Na minha opinião um dos melhores grupos de amigos já que todos estão juntos, enfrentando seus medos e se ajudando.


Como a própria imagem mostra, mesmo com o cheiro de Cascão, Cebolinha ainda o considera como amigo, mesmo que as vezes eles entreguem um ao outro é só para não levar coelhadas da Mônica, entendam.

Mônica e Magali são amigas e raramente brigam, mas uma coisa que vale ressaltar é que nem sempre elas estão juntas e mesmo assim a amizade não acaba. Outro fator é que Magali é bem mais calma que Mônica então Magali sempre tenta controlar Mônica quando fica muito brava..

Existem vários tipos de amigos, o importante é saber valoriza-los e procurar entende-los, sempre entrando em acordo.

domingo, 17 de julho de 2016

Amigos para sempre

Se alguém me contasse que de uma hora pra outra que eu me tornaria melhor amiga dele eu não acreditaria. E se me falassem que com a mesma velocidade eu seria apenas mais uma coleguinha de turma eu surtaria.

Sério! A ideia parece assustadora. O que eu mais cobiçava era a amizade dele.

A ideia de em um instante ter (por mais que ninguém seja dono de ninguém) e no outro não ter mais assusta.

É como se você ganhasse na loteria e logo em seguida alguém te roubasse.

É mais ou menos assim que eu penso. Pelo menos achava que pensava. Até isso realmente acontecer, ter a amizade que eu sempre quis (como eu não tinha pensado antes... estava tudo tão perfeito, alguma coisa tinha que dar errado) e com a mesma facilidade que eu conquistei ela se foi.

Como dizem: tudo que vem fácil, vai embora fácil.

Mas, ao contrário do que eu esperava, eu não fiquei magoada. Têm dias que eu me dou conta de que eu perdi a amizade mais “perfeita” que eu já tive e, eu não sei porquê, eu sinto vontade de dançar, eu me sinto livre.

Só tem uma coisa que me incomoda... O motivo de ter acabado (quando eu disse “amizade perfeita” eu estou incluindo as brigas saldáveis). Até agora eu só cheguei a hipótese de que ele não deveria ter feito a promessa que fez...


Que nós iriamos ser amigos para sempre...

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Sentimento bom


Oi!

Trilha sonora do texto aqui.

To the left...
To the left...

Depois de passar uma hora ouvindo música sertaneja e olhando pra estrada finalmente cheguei. Não pense errado... Eu gosto de música sertaneja, mas não é bem o meu tipo de música preferido.

Desci do carro correndo, peguei minha bolsa com brinquedos, cumprimentei minha avó e disse pra minha mãe que iria pra casa da minha prima.

Ir pra casa da minha avó não era algo que eu gostava muito... Eu tinha acabado de descobrir o computador, e lá não tinha nenhum.

A casa da minha prima era bem próxima da casa da minha avó, eu só tinha que atravessar a horta. Até que ficar lá não era ruim.

Com uma mochila cheia de livros, cadernos, bonecas e lápis entrei correndo no armazém do meu tio, minha prima estava abaixada arrumando as mercadorias das prateleiras. Gritei para lhe chamar atenção e a abracei. Encostei minha mochila no balcão e fui a ajudar, era muito legal colocar preços nos produtos e arrumar na prateleira. Fiquei contando pra ela tudo que tinha acontecido naquele mês, coisas que depois de alguns anos percebi que ela não queria saber, mas me ouvia com atenção. Ela era mais velha que eu, mas gostava de brincar comigo.

Ao meio dia parávamos pro almoço. Eu deveria ir almoçar com os meus pais, mas ficava na casa da minha tia pra passar mais tempo com a minha prima. Sentávamos na cama e assistíamos desenhos durante o almoço. Quando voltávamos pro armazém ela me dava doces. Acabei ficando mal acostumada, mas não tinha coragem de pedir quando eu queria mais.

Quando meu tio chegava eu o cumprimentava e isso significava que podíamos sair. Ela ia pra casa e eu ia atrás como um rabinho falante. Não parava um minuto. Ela tinha que ajudar a mãe dela a arrumar a casa e eu queria ajudar, ms não sabia como, então eu tentava não atrapalhar. Ela colocava música bem alto, costume que eu aderi algum tempo depois, e eu ficava sentada na cama dela vendo seus cadernos da escola e pensando quão difícil era aquilo...

Uma das músicas que eu mais gostava, talvez por causa do clipe ou do toque, já que eu não entendia inglês, era Irreplaceable da Beyoncé, eu sempre tentava cantar o início apesar de não fazer ideia da letra. Era engraçado porque ela sempre dançava e fazia gracinha junto comigo.

Depois que ela terminava de arrumar a casa ela tomava um banho e eu ia junto pro banheiro só pra falar mais na cabeça dela... Na hora de escolher a roupa ela era sempre criativa... Gostava de adaptar as próprias roupas e transformar algo velho em uma peça super original. Ela se inspirava na Beyoncé e eu sempre achei as achei muito parecidas. O cabelo da minha prima era muito legal ela sempre fazia alguma coisa diferente nele e eu achava tudo um máximo...

No final da tarde nós duas brincávamos com as minhas bonecas, mesmo que seus amigos a chamassem pra sair. Eu gostava tanto disso... As vezes nós ficávamos na horta subindo nas árvores, principalmente em época de jabuticaba ou manga... Nós fazíamos um barro pra brincar de lanchonete ou restaurante, as vezes casinha... Ela, muito cuidadosa, não se sujava, já eu... Chegava na casa da minha avó e tomava um banho para dormir...

Eu sempre dormia no mesmo quarto que ela, já que ela ficava na casa da minha avó pra fazer companhia à minha avó. Ficávamos horas conversando e ouvindo música...

No dia seguinte era basicamente a mesma coisa... No final, ir pra lá não era ruim. Era mais divertido que eu sempre esperava.


Eu passei o fim de semana como "DJ" da festa do meu irmão e mais no fim da festa eu coloquei uma música que me lembra muito quando eu tinha uns 7 anos e ia pra casa da minha prima...O mais legal é que ela estava lá também e tudo se encaixou e veio aquele sentimento gostoso e nostálgico...

domingo, 29 de maio de 2016

Até Quando?


Oi!

Com certeza vocês ficaram sabendo do que aconteceu essa semana com a menina de 16 anos que foi estuprada por 33 homens...

Então, como de costume, eu resolvi tratar desse assunto no texto de hoje. Na verdade foi coincidência eu ter um texto se tratando de algo muito parecido e eu resolvi compartilhar com vocês.

Espero que gostem

Desliguei o rádio após estacionar o carro.

Respirei fundo, peguei minha bolsa e saí. Não antes de colocar meus óculos escuros e olhar no espelho se havia algo evidente.

Entrei na loja e fui até o balcão.

-Bom dia, senhorita Juliana. - a atendente já me chamava pelo nome. Fazia dois longos anos que eu ia até lá no mínimo duas vezes ao mês.

Coloquei a mão tapando o rosto para que outros clientes não pudessem me ver.

-Você poderia pegar o de sempre e o mostruário de batons? - pedi educadamente.

Enquanto esperava, olhei o espelho grande da loja e quem não soubesse da verdade diria que eu estava bem. Minha roupa estava impecável. Os cabelos nunca estiveram melhores. 

Eu conseguia ficar o dia todo em cima do salto, altamente desconfortável, sem reclamar.
Mariana, a atendente, volta com a minha sacola e o mostruário de batons. Já a considerava minha amiga, pois ela sempre me ajudava sem fazer perguntas ou críticas. Eu sabia o que estava fazendo. Pelo menos achava que sabia.

Olhei cautelosamente cada batom. Não tinha pressa para chegar a casa. Eu gostava de batons vermelhos vibrantes, mas era obrigada a usar os mais claros em tons nude. Escolhi o que tinha o tom mais forte permitido a mim, o que não passava de salmão e fui para o caixa.

As outras mulheres me olhavam torto. Provavelmente porque estou usando óculos escuros dentro de uma loja. Mas acredite, elas não iriam gostar de ver o que havia abaixo deles.

Após pagar minhas compras, dirgi-me ao carro que havia ganho de meu marido, há menos de um mês.

Tomas era uma boa pessoa. Pelo menos algumas vezes. Gostava de me presentear com objetos caros, inclusive o carro que havia ganho dele e gostava mais ainda do dinheiro que tínhamos, fruto de nosso esforço e da herança de meu avô. Gostava da nossa influência na sociedade também.

Eu não me importava com isso. Mas não podia dizer isso a ele. Ele tinha a mente um pouco fechada. Nada que eu não me acostumasse.

Assim que cheguei a casa, estacionei meu carro em uma das vagas da garagem e tirei da minha bolsa um pouco de dinheiro para dar ao motorista para que ele ficasse calado. Tomas não gostava quando eu saía sozinha. Ganhei um carro e não podia dirigir.

Passei pela sala e subi as escadas o mais rápido possível.

-Com licença, senhorita. Precisa de algo? - Carolina logo veio me perguntar.

-Não obrigada, Carolina. Posso me arrumar sozinha. Só quero que me avise quando Tomas chegar.

Ela apenas assentiu e saiu do quarto. Peparei meu banho e fiquei quinze longos minutos na banheira tentando relaxar para suportar o mau humor de Tomas no jantar. Ele anda muito preocupado com a empresa, mas tudo está perfeito. Já tentei convence-lo disso várias vezes, mas o resultado é sempre o mesmo.

Após o banho, vesti-me e fiquei diante do espelho olhando aquelas marcas horríveis.
Meu olho estava arroxeado e nos meus braços haviam marcas dos dedos de Tomas algumas ainda roxas e outras em tons que variavam de esverdeado a amarelado. Como eu vestia uma saia, era possível ver marcas nas minhas pernas.

Não gosto de lembrar como ganhei todas essas marcas, mas era inevitável. Eu comecei a chorar ao lembrar de como Tomas me ameaçava, o que faria comigo se eu contasse a alguém, se eu o denunciasse. Ao me lembrar de como me bateu, quando saímos, chorei ainda mais e eu ainda estava com um batom vermelho ganho de uma amiga, que logo ele fez questão de cortar contato. Ele foi cruel comigo quando bebeu mais que deveria e descontou toda sua raiva em mim.

Eu havia desistido dele...

Mas ele não desistia de mim. Cheguei a sair de casa, mas ele, literalmente, me arrastou de volta e me bateu muito por tal ato.

Combinamos que iríamos dormir em quartos separados, mas ele poderia me usar quando quisesse, que acontecia com frequência. Ou me usava ou me batia.

Sentei-me na cama chorando. Tentando lembrar quando eu errei e permiti que isso acontecesse.

Minhas únicas amigas eram Mariana – a atendente da loja de cosméticos que sempre deixava separado para mim bases, corretivos, iluminadores... tudo para tentar me ajudar a esconder meus hematomas – e Carolina – nossa “empregada” que foi testemunha de vários momentos horríveis e sempre estava por perto sendo prestativa e me ajudando.

Mas Tomas não fazia ideia disso e não poderia também. Uma vez ele disse que empregados não passam de funcionários feitos para servir.

Ouvi batidas na porta.

-Senhorita? - era Carolina. Sua voz doce era inconfundível.

-Entre. - disse fungando.

Ela entrou no quarto e fechou a porta rapidamente.

-Ele chegou, senhorita. Precisa de ajuda? - disse pegando um lenço no bolso e limpando minhas lágrimas com cuidado.

Assenti e a deixei me ajudar a passar maquiagem para tentar esconder as marcas que Tomas havia feito.

No final eu estava quase perfeita. Passei o batom nude de sempre e esbocei um sorriso para o espelho. Eu era quase a mulher perfeita.

Desci calmamente, não tão ansiosa para ver meu marido.

Ele estava muito bonito. Na verdade, sempre foi. Apenas seu caráter ofusca sua aparência tão bela.

Cumprimentou-me com um beijo e nos sentamos para jantar. No meio da refeição ele finalmente dirige a palavra a mim.

-Juliana. Por que não temos filhos? - sério? Pensei comigo mesma. Tudo bem Juliana. 
Respire fundo e responda educadamente.

-Querido, você sabe que eu não posso ter filhos. Achei que isso estivesse claro desde o início do nosso relacionamento. - tudo bem, a segunda parte não foi tão educada assim.

-Não me chame assim. Sua imprestável. - ele começou a gritar e bater na mesa, enquanto se levantava e ia até mim.

Segurou meu rosto com força e me deu um tapa. E depois outro do outro lado. Eu tentava pedir por favor, mas ele não parava.

-Acho que você não aprendeu ainda como eu devo ser tratado. - disse furioso puxando-me pelo braço escada acima.

Foram um dos vinte minutos mais longos da minha vida. Pareceram horas intermináveis. Ao fim, ele só faltou cuspir em mim.

Olhei-me no espelho e eu não parecia nem um pouco com aquela mulher que eu era antes do jantar. Meus lábios sangravam. Estava derrotada. Doía só de imaginar ficar presa nessa rotina terrível até a morte de um de nós dois. Era pior ainda saber que outras mulheres sofriam do mesmo pesadelo que eu sofro diariamente.

-Senhorita, precisa de ajuda? - Carolina me chamava novamente.

-Não, obrigada. Pode ir dormir. Não se preocupe comigo, eu estou bem. - disse antes de cair no choro. Não estava nada bem. Nada ia ficar bem.

Limpei meus ferimentos e vesti meu pijama. Deitei-me imaginando o que viria amanhã e depois. Será sempre assim? Eu não vou poder ser livre?

As feministas costumam dizer que alcançamos a liberdade e realmente acredito nelas. 

Acredito em nós. 

Só não acho que eu tenha sido escolhida para compartilhar dessa liberdade.

As mulheres realmente conquistaram lugar e voz na sociedade, mas não foram todas.

Não é tão simples fechar os olhos e fingir que isso não existe. Existe e é mais frequente do que imaginamos.

Infelizmente, muitas de nós ainda estamos presas na nossa própria liberdade. 

domingo, 22 de maio de 2016

Segredos


Oi! 
Eu resolvi postar esse texto que é um pouco (talvez muito) exagerado, mas é curtinho.
(Como uma pessoa pode ser tão exagerada com tão pouco?)
Mas esse texto representa algo pra mim, porque me lembra de algumas coisas que andaram acontecendo e provavelmente eu vou falar disso no futuro.
Espero que gostem!

Meu celular despertou às 6:00 horas, como todos os dias, mas eu já estava acordada a mais de meia hora.

Aquilo que ele me disse estava me matando.

Pouco a pouco. De dentro para fora.

Me levantei sem ânimo algum. Era sexta feira, teria aula e ainda seria obrigada a o encarar. Não que eu não tenha feito isso antes, depois de saber de tudo aquilo. Mas antes era diferente, até ontem era. Aquilo não havia me aniquilado.

Fiz tudo que sempre faço durante a manhã e fui em direção à escola. Por sorte estava com minha amiga que deveria me distrair, porém ela falava qualquer coisa sobre um livro qualquer. Eu não me importava, estava presa em meus pensamentos e sentimentos confusos. E o pior, não poderia dividir isso com ela. Eu havia prometido segredo.

Passei os três primeiros horários tensa. Não conseguia prestar atenção na aula e não conseguia parar de pensar na conversa que tivemos a alguns dias atrás. No intervalo preferi ficar na sala. Estava sem fome. Foi quando eu ouvi um barulho estrondoso vindo da porta. Apenas olhei e vi sua figura com um semblante raivoso. Fechei os olhos, mas tive a certeza de que ele caminhava em minha direção. Quando abri meus olhos ele estava à minha frente. Logo socou a mesa e começou a gritar assustando as poucas pessoas que estavam lá.

-Você contou! Eu não acredito que você contou.

-Eu não contei nada. Juro. Estou sim sufocada com as informações e preocupada, mas, não, eu não contei. - gritei de volta.

Com a proximidade vi que por trás da raiva havia mágoa. A ultima coisa que eu queria era perder a confiança que ele tinha em mim.

Ele apenas respirou fundo e saiu.

Eu podia ter ido até ele e pedido desculpas, mas sei que não fiz nada.

Ótimo.


Agora além dos meus pensamentos tinha ele para ficar me repreendendo.

domingo, 15 de maio de 2016

A realidade em um sonho


Para começar, resolvi postar um texto que eu escrevi e, relendo agora, não faz muito sentido. Mas para mim, não precisamos fazer sentido para sermos entendidos. Espero que gostem.

Não é fácil acordar às quatro horas da manhã para viajar.

- Sophia! Levanta! Agora! - minha mãe gritava.

Eu nem ao menos queria fazer essa viagem. é para um teste em uma agência de modelos.

Levantei-me, tomei meu banho e, ainda enrolada na toalha, parei em frente a meu armário. não sabia o que vestir. resolvi pegar minha saia preta, uma blusa branca com listras pretas e meu All Star também preto. amarrei meu cabelo em um rabo e fui assim mesmo.

Nunca me achei bonita. Apesar de minha amiga, única por sinal, dizer.

Eu sou muito magra, baixa e meus cabelos são extremamente cacheados. Sem contar que, aos dezesseis anos, eu nunca beijei ninguém.

- Sophia. Você não vai levar nada? Nem uma blusa? - minha mãe disse, me despertando dos meus devaneios.

- Não, mãe, eu só quero ir. Quanto mais cedo chegarmos, mais rápido voltaremos.

Ela apenas deu de ombros e pegou as chaves do carro.

Entrei no banco de trás para a qualquer momento conseguir dormir. E isso não demoraria.

Minha mãe ligou o carro e, para ajudar, colocou o meu CD da Demi Lovato, que acidentalmente esqueci dentro do som, quando saí com ela da última vez.

Eu gosto muito das músicas dela por serem animadas e autobiográficas, mas naquele dia eu estava ficando com sono.

Encostei minha cabeça na janela e me permiti adormecer.

Acordei, mas percebi que não estava no carro da minha mãe. Eu estava deitada na grama. Olhei para os lados assustada, procurando por ela ou por algum sinal de vida. Meu celular estava em casa e nem relógio eu tinha. Levantei-me e a única coisa que eu via era um vasto campo com algumas flores espalhadas, de diferentes espécies.

Minhas roupas eram as mesmas, o que anula a possibilidade de sonho. Eu acho...

Resolvi andar em frente. Para minha sorte estava um dia nublado; então o sol não me atingia tanto.

Depois do que me pareceu 15 minutos, perdi a pressa. Comecei a observar com mais detalhes o que havia ao meu redor.

Consegui identificar algumas orquídeas, azaléias, bromélias, uma ou outra coroa imperial e muitas espécies de flores das mais variadas cores.

Continuei andando, contudo prestando atenção em outros detalhes.

Sem motivo algum parei bruscamente. Um arrepio percorreu meu corpo. Olhei para frente e vi uma floresta de aparência fria e densa.

Resolvi entrar. Realmente, eu tinha razão. Era uma floresta fria. Não havia muito o que olhar.

Depois de alguns metros andando, vi um riacho mais à frente. Eu estava com sede. Corri e peguei um pouco de água com as mãos em forma de concha. Tinha consciência de que não era uma água limpa, mas não me importei.

Não tinha nenhuma ponte ou caminho para atravessar o riacho, porém não me parecia muito fundo. Tirei meu All Star e atravessei. A água era tão fria quanto a floresta. Como não tinha nada para me secar continuei andando descalça por mais alguns metros. A floresta já estava no fim. Parei. Calcei meu tênis e corri desesperadamente à procura de ajuda, quando de repente bati em algum objeto que lembrava uma parede de vidro e então fui obrigada a parar.

Assustada e admirada, eu conseguia ver o que parecia ser um quarto. O meu quarto.

O chão começou a tremer sem explicação nenhuma. Fechei os olhos. Quando essa sensação foi se acabando, eu abri meus olhos novamente. Eu estava no meu quarto.

- Sophia! Levanta! Hoje é segunda! Tem aula. - minha mãe continuava gritando.

Levantei-me, peguei meu uniforme e fui fui tomar banho. Não acredito que foi tudo um sonho.

Ei! Por que meu All Star está sujo de terra?